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Pedro Martins

2009-01-19

O Administrador de Redes

No decurso da minha actividade profissional tive a oportunidade trabalhar como coordenador de um help-desk, o que me permitiu ver o trabalho e aquilo que, penso, deveria ser o perfil de um Administrador de Redes, de uma perspectiva mais abrangente e imparcial.

Os profissionais das TI, neste caso os Administradores de Redes, sofrem geralmente de uma “doença”, a que costumo chamar “síndroma de Deus”. Os sintomas são facilmente identificáveis: uma certa arrogância e paternalismo para com os utilizadores da rede que administram. Na maior parte das vezes isto deve-se a sérias lacunas na formação académica ou profissional do técnico. Todo o currículo é direccionado para Routing, Switching, DHCP, DNS e outras palavras e acrónimos giros (?!?) que mais ninguém entende (apenas outros deuses do Olimpo), e parte do fundamental – ajudar os utilizadores a desempenhar as suas tarefas – fica por abordar.

Nenhum administrador de redes consegue manter a rede a funcionar como quer, utilizando apenas a lei da força. Não pelo facto de as tecnologias à sua disposição não o permitirem, mas por uma questão de bom senso.

Assim, e para conseguir obter a colaboração de todos, por exemplo na implementação de uma nova política de backup, é quase imprescindível que os utilizadores o façam de boa vontade. Esta “boa vontade” conquista-se sempre que um utilizador tem um problema, digamos, no Excel, no Word ou em qualquer outra aplicação de produtividade, e o administrador de rede, em vez de manifestar qualquer dos sintomas referidos acima por achar o problema “menor”, simplesmente ajuda a resolvê-lo.
Cada vez mais, e num mercado com a especificidade e dimensão do nosso, o administrador da rede é a mesma pessoa que executa, ou coordena, o help-desk. Assim, o mesmo deverá ter formação na área comportamental/interpessoal, bem como em todo o software de produtividade utilizado na empresa.

Obviamente, para técnicos que são academicamente programados para cultivarem aquele ódio de estimação a tudo o que seja Microsoft, isto pode ser um sério problema, já que 90% das empresas utiliza, por exemplo, o Microsoft Office.
Concluindo: um Administrador de Redes deve possuir uma “cultura informática” alargada para que, ao mesmo tempo que maximiza a performance e segurança da sua rede, preste um bom serviço aos utilizadores da mesma. Afinal, a rede só faz sentido no contexto de suporte à produção, e grande parte de quem produz são os utilizadores desta, não é?

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